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UM POUCO SOBRE FUSÕES (BELLYDANCE FUSION)








Uma FUSÃO em dança e/ou música é a mistura de 2 ou mais estilos diferentes no qual o artista encontra aspectos em comum das expressões na linguagem artística referente. Na Dança do Ventre a prática já é muito recorrente desde os anos 30-40 com músicos como Mohammad Abdel Wahab, Abdul Halim Hafiz e outros, assim como bailarinas como Tahia Carioca, Samia Gamal, Naima Akef e outras...


Tahia Carioca - Nome artístico inspirado no Brasil, já que apreciava muito os ritmos brasileiros que seu derbakista tocava junto aos ritmos árabes. Tahia também se inspirava muito em Carmen Miranda, como mostra a imagem



A minha primeira fusão na Dança do Ventre com Musica e Danças Brasileiras foi no Chorinho "Assanhado". Percebi um terreno fértil para leitura de quadril no instrumento de cordas muito veloz e ornamentado na versão repaginada desse clássico brasileiro. Me inspirei na figura do Malandro, no qual o tema sugere e que sempre fui apaixonada desde quando não me lembro durante na minha infância ao assistir incansavelmente "Ópera do Malandro" - obra de Chico Buarque de Holanda.
Abaixo o video da minha primeira apresentação dessa coreografia no qual me rendeu um grande elogio de Hossam Ramzy com a publicação em seu facebook como "A NEW STAR A BORN". Fiquei muito surpresa, pois a criação dessa coreografia foi completamente despretensiosa :)
Vale a observação que muitos tem duvidas... Apresento como fusão Dana do Ventre e Samba. Sim, SAMBA, pois apesar da musica se tratar de um chorinho (um braço do samba), a DANÇA referente à fusão é o SAMBA e não choro. Ok?


FICHA TÉCNICA:
Coreografia: Assanhado
Coreógrafa: Triana Ballesta.
Musica: Assanhado.
Autor da música: Jacob do Bandolim
Versão:Armandinho
Criação da coreografia: Setembro de 2011 em Curitiba - PR
Primeira apresentação: 26 de Outubro de 2011 na Mostra Shams El Nour promovido por Vanessa Reichert em Curitiba - PR






Abaixo, apresento um pequeno trecho do clássico chorinho brasileiro tico tico de Zequinha de Abreu e consagrado por Carmen Miranda. Essa é uma versão do Choro das 3. Rica na execução, ornamentos e improvisos dos instrumentos musicais que trabalham a melodia alternando-os entre si, essa é uma forte herança da cultura árabe, cigana e portuguesa presentes em nossa música. Além do nosso amado pandeiro e seus ritmos contagiantes como o samba. Agraciados essencialmente pela mãe África e sua capacidade de se adaptar e sobreviver ás mais terríveis injustiças e crueldades cometidas pela humanidade. Do sofrimento criamos arte, amor e alegria, somos nós: brasileiros com muito orgulho!

vídeo postado na Central Dança do Ventre: Visualizar

FICHA TÉCNICA:

Coreografia: Tico tico no Fubá.
Coreógrafa: Triana Ballesta.
Musica: Tico Tico no Fubá.
Autor da música: Zequinha de Abreu.
Versão: Choro das 3  - Corina (flauta e flautim), Lia (violão de 7 cordas) e Elisa (bandolim, clarinete, bajo e piano) e o pai, Eduardo (pandeiro e percussão).
Criação da coreografia: Janeiro de 2014 em Curitiba - PR
Primeira apresentação: 13 de Agosto de 2014 no Sarau da Imersão com Hossam e Serena Ramzy promovido pelo Studio Agni em Aguas de Londóia - SP




As curvas do violino



(foto:http://weheartit.com/entry/5827412)



Se a dança do ventre é uma dança sensual, o violino faz jus ao fato.

Foi um instrumento incorporado à cultura árabe em meados do séc. XIX e início do séc. XX. Dependendo da forma com que se toca, podemos chama-lo por outros nomes. Violino é quando se toca música clássica, rabeca quando são musicas populares, podemos encontrar também como camanja em culturas orientais, quando seu toque é muito fragmentado, “nervoso” eu diria, e outros.

Aqui está outro instrumento no qual podemos nos deliciar em oitos, redondos, ondulações, cambres... Sinuosos movimentos que se encaixam tão bem nas curvas do nosso corpo. E para completar a vitalidade dessa mulher, ele quebra notas em tremidos ansiosos pelo que há de vir.

A forma de se tocar violino a moda oriental é muito diferente da clássica europeia. Aqui podemos opor notas alongadas e quebradas em um único compasso, sempre floreando, sempre enfeitando, sempre poetizando. Pois, apesar de ser um instrumento de cordas, seu som fino é formado quando elas são friccionadas por uma vara de madeira. 






As falanges dos nossos dedos se alternam acariciando o perfume, o olhar e os desejos que nosso corpo emana no ar. As palmas, como conchas, recolhem um som enigmático e empurram seguidamente como a maré.
Ainda como a maré, recolhemos a melodia do violino que passa por nós, brinca dos pés a cabeça e por nossos braços pulsa para fora recomeçando o embalo.
O enigma do violino não está para ser revelado, nem entendido. Está apenas para ser sentido e amado, nada a mais (assim disse Osho sobre as mulheres).



A única coisa que se entende em um taqsim é o que ouvimos e vemos. Taqsins são assim, feitos para serem sentidos, vivenciados, explorados. Simples desse jeito: “ouço, logo vejo” (para o público) e “ouço, logo danço” (para bailarinas) regado por uma deliciosa calda de sentimentos! A empatia entre músico, bailarina e público fazem da dança oriental o verdadeiro sentido de existir e permanecer.

Se entregue ao Acordeom!




Esse instrumento musical é encontrado em diversas culturas, principalmente nas linguagens populares, folclores, etc. Um instrumento chamado Cheng inventado no China há cerca de 2.700 anos A.C. deu origem ao instrumento que somente em 1822 D.C. na Alemanha ganhou a estrutura do que chamamos hoje de Acordeom. É também é chamado de “gaita”, “acordeão”, “sanfona”.

O acordeom é um instrumento do tipo aerofone, formado por teclados, caixas harmônicas, fole. Se mostra muito complexo e é necessária muita prática para manuseá-lo. Por isso, ele é tão amplo que seu som pode ser do mais grave ao mais agudo, do mais lento ao mais veloz, da nota mais longa até a mais curta. Logo ele pode parecer alegre, festivo ou melancólico, triste, solitário.

Esse é o instrumento que mais gosto de dançar! Ele nos dá tantas possibilidades de movimentos que se mostra desafiador, ou você mergulha em sua fantasia ou ficará à margem da história como mero espectador. 


(Gamil Gamal conta com a melodia traçada pelo Acordeom e no final um lindo solo desse instrumento - Show de Hossam e Serena Ramzy no Brasil)


Para ler o acordeom é necessário assumir o papel principal da história, é o que devemos fazem em todo taqsim (ler artigo - O que é Taqsim?? - Simplificando...), o que muda, é o peso e a dramaticidade que ele nos remete.

Por ser um instrumento muito usado em musicas populares e folclóricas, encontramos facilmente em musicas do estilo baladi clássico (Ler artigo - Baladi - A dança do Cairo). Esse estilo de dança é tão forte e marcante para a cultura egípcia e o acordeom é tão presente que fica praticamente impossível de desvencilhar sua forma de dançar mesmo em outro estilo de musica árabe (como uma musica clássica por exemplo).

Quando a sanfona tocar um baião, logo um brasileiro (principalmente se for nordestino) vai identificar o ritmo, o estilo e vai saber como dançar, como arrastar os pés no chão em um ritmo envolvente, chamar um parceiro para a dança e saudar sua cultura, seus costumes, sua terra (baladi significa “da minha terra natal”). O mesmo vai acontecer quando um gaúcho ouvir o mesmo instrumento sendo tocado ao estilo milonga ou vaneira. Ele vai saber exatamente do que se trata e quais os passos que irá fazer junto a sua parceira. Ele realmente vai se encher de orgulho por suas tradições. É essa a grande característica do Acordeom, seu saudosismo cultural. 


(Luiz Gonzaga, conhecido como "Pai do Baião". Grande musico brasileiro e responsável por cultivar e disseminar a cultura nordestina no país e no mundo)


(Herber A. A. Fróis, mais conhecido como "Gaúcho da Fronteira" - Um dos principais representantes da cultura gaúcha do país e do mundo)

Quanto toca o acordeom em uma musica árabe, é um momento poético. O peso de seu som irá chegar aos seus pés como alicerces. Como quem sabe quem é, sabe de onde veio e sabe o significado de estar onde está. Nenhuma parte do seu corpo pode se esquecer sobre tudo que aprendeu sobre si próprio e sobre sua vida. Esta será exposta imprevisivelmente, é uma grande responsabilidade.

Você vai demonstrar cada movimento de infinito, cada redondo, cada tremido, cada ondulação... seus braços e mãos irão se desenvolver harmoniosamente nesse conjunto de destreza e êxtase. Não esperamos técnicas em arabesques, giros com foco, no eixo, meia ponta alta ou molduras estruturadas. Pois não esperamos um "ideal"estético, esperamos o REAL.

Dançar ao som do acordeom é dançar a intimidade do seu ser. É dançar seu passado e seu presente e toda a esperança no futuro. Dançar o som do acordeom é dançar com os pés no chão, é dançar com o ventre liberto, é dançar despreocupadamente. Ou você DANÇA, ou não.

Deixo vocês hoje com simplesmente Naima Akef, grande estrela do  cenário artístico egipcio da Era Gold traduzindo lindamente o som do Acordeom.


Não ouse a confundir o Qanoun com o alaúde!

(Na foto Sami Bordokan e Claudio Kairouz)

Brincadeiras a parte, acontece muito a confusão entre esses dois instrumentos de corda, talvez até saibamos distinguir os sons. Mas não necessariamente estaremos distinguindo os shimmies (tremidos). Dessa forma, os sons dos dois instrumentos irão parecer iguais ao seu corpo e consequentemente ao público. 
Nós, como bailarinas, temos uma função muito especial e fundamental para um espetáculo de musica árabe. Devemos interagir com o público apresentando a nossa arte, nossa desenvoltura, nossos sentimentos... Porém não se trata apenas de “nós”, devemos também apresentar as marcas de uma cultura que estão impressas em suas musicas. Então, vamos fazer a gentileza de apresentar aos espectadores o maravilhoso som do qanoun! Ele é único! 





( Jovem egipcia tocando um intrumento - fonte da autoria indisponível)



O som desse instrumento é mais estridente que o Oud. Suas notas são mais fragmentas, pois o instrumentista manipula cordas agrupadas triplas, então ele pode apresentar essas notas extremamente rápidas como um “trrrrrrriiiimm”. Por isso, vamos fazer “trrrrrreeeemeeerrrrrr” o nosso ventre ou até o nosso corpo todo dependendo da intensidade que queira traduzir. 

(Qanoun - foto de Suria haddad)


Podemos usar muito tremido de tensão, mas cuidado, ele pode parecer invisível para o publico que esteja distante, por isso sugiro exercitar e treinar muitas intensidades diferentes, mesmo porque, essa dinâmica faz parte das composição de um solo de qanoun.

É surpreendentemente mágico quando observamos em uma linda musica clássica, os contrastes de uma mesma frase melódica tocada pela majestosa orquestra e em seguida uma resposta singela, porém marcante, do qanoun. É o momento em que paramos de girar e voar para aproximarmos os nossos braços ao corpo, mãos em movimentos suaves aos quadris e graciosamente riscar linhas, oscilações, pequenas ondulações e toques quase maliciosos como quem cutuca alguém amigo antes de um sorriso saudoso. É o momento e darmos toda a atenção do mundo ao delicado qanoun. 

(Sei que já postei esse video lindo da bailarina Lucy em outros artigos, é uma das minhas musicas preferidas e ela demonstra claramente como traduzir um qanoum com personalidade, sentimentos, respeito e sofisticação)


Se existisse somente um único som que correspondesse a um único movimento, eu diria que é o som do qanoun para o shimmie tenso.

Deixo vocês com o único artista no Brasil que se dedica a tocar Qanoun atualmente, Claudio Kairouz que está acompanhado pelo jovem artista tunisiano Raouf Gemini:


Vibrando com as cordas do Oud (Alaúde)





É um instrumento de corda marcante e muito antigo nas culturas árabes. Ele propaga sons ao vibrar suas cordas, assim como qanum, buzuk e outros. No início pode parecer confuso distingui-los, mas com o tempo, exercitamos a nossa audição para esse fim.
Ouvindo muita musica arabe com atenção e procurando saber de onde vem cada som diferente você estará praticando, estudando e se sensibilizando com essa arte.
O Oud, conhecido também no Brasil como Alaúde ( Al-oud). É comum ouvirmos um taqsim desse instrumento em musicas clássicas ou mesmo momentos mais breves que compõem frases melódicas. 
Ao longo da história dos povos arabes, era comum recitar longos versos ao som do oud. Ele era praticado por mulheres e homens a indispensável em toda forma de comemoração festiva.
Podemos adicionar adjetivos aos sons para expressar os nossos sentimentos quando ouvimos. Por exemplo, o oud pode parecer melancólico, pesado, profundo e galanteador com seu som grave. Ele me parece ter adquirido muita sabedoria ao longo de sua longa história!

(Theodore Chasseriau - Reclining Odalisca)



Pode se apresentar em notas únicas de 4 tempos ou em notas fragmentadas em 16 ou 32 tempos de nota seguidamente: "blammmmmmmmmmmmm, blam blam blam blam......", como um turbilhão de águas claras!
Vocês certamente não precisam imaginar o meu "blam", vou apresentar algo melhor.

Vejam que show maravilhoso no qual Sami Bordokan, um dos melhores instrumentistas que atua em nosso país fez parte:



Hossam Ramzy costuma dizer que sentimentos não se ensinam. Eu concordo com ele, por isso, a dança de cada bailarina é unica, assim como seus sentimentos. No momento em que você dançar o oud, certamente irá expor seus sentimentos, além de sua habilidade, claro.
Espera-se que toda bailarina oriental esteja em total sintonia com a música que está dançando, já que a dança oriental nada mais é do que traduzir a música com os movimentos do corpo (insisto em repetir sempre). Então, se sentir dificuldades em vibrar com as notas do Oud, você pode observá-las. Observar as cordas vibrando e de como os dedos do musico as tocam.Caso não tenha oportunidade de ver ao vivo, pode ver em videos, ou pode brincar com um violão comum. O importante é observar como as cordas funcionam. 
Esse exercício de observar e apenas ouvir com cuidado e calma pode lhe proporcionar o momento de paz que necessita para aguçar a sua criatividade, "viajar" mentalmente para depois colocar em prática!



O som do Oud merece realmente ser dançado, traduzido, vivenciado. Seria realmente uma lástima passarmos por ele desapercebido em uma música. 
Ao dança-lo, seus quadris irão fazer pequenas batidas a cada nota emitida e isso se transformará em tremidos soltos, às vezes mais curtos e às vezes mudo. Enquanto isso, sua melodia desenhará no ar ondas do mar, círculos do ventre. E o silencio entre uma nota e outra irá paralisar o tempo e congelar os olhares.

O único problema de todo bom músico é que toda boa bailarina pode roubar seu brilho, pois ela ilude o público a pensar que a musica sai de seu próprio corpo!


Com carinho e muita paz

Triana Ballestá

O que é Taqsim? Simplificando....



"Taqsim" é quando um instrumento musical faz seu solo. O músico pode improvisar durante muito tempo ou poucos segundos em uma música árabe clássica, folclórica, moderna, baladi ou ele sozinho pode compor uma única canção do início ao fim.
Quando uma dançarina do ventre for dançar um taqsim, ela e o músico deverão estar em total sintonia, um com o outro. 


Taqsim: Quando o som das notas que saem da alma do músico irão transbordar o corpo da bailarina antes de chegar ao coração do público... 

(Triana Ballesta)

(Bailarina: Lucy)

Como apreender todo o conteúdo de um WORKSHOP de Dança do Ventre?

Recebi o convite da Revista Shimmie - edição 14  (especializada em Dança do Ventre e Folclores Árabes) para responder essa pergunta: Como apreender todo o conteúdo de um workshop?
A procura por workshops é muito grande para quem já faz aulas de dança do ventre regularmente, ou para quem está se profissionalizando. O fato é que mesmo com objetivos diferentes, toda aluna de um workshop está em busca de novidades, ampliar o seu conhecimento e possibilidades de estudo.
Então aqui estão as minhas dicas para quem não adquiriu ainda o exemplar :)



Ao participar de um workshop, sabemos que a aluna deve escolher criteriosamente o profissional e o tema no qual irá aprofundar seus estudos, já que investirá seu dinheiro, esforço, tempo e dedicação. Por isso, concluímos que a aluna deva ter confiança no profissional escolhido e respeita-lo, estando aberta a tudo que for colocado em pauta, para que possa absorver, aprender e também questionar melhor quaisquer informações que forem surgindo durante o evento.
Antes de tudo, o objetivo de um workshop é promover momentos de experiências e vivências sobre os temas sugeridos. São momentos de trocas, aprendizado e reflexão. Dessa forma, aí vão as minhas dicas:
A primeira é: FAÇA MUITAS PERGUNTAS, sem medo de passar por “ignorante” no assunto, afinal de contas, você está participando justamente para aprender. Você poderá anotar as questões, dias antes ou mesmo durante o workshop, à medida que forem surgindo e perguntar em um momento oportuno, para que não corra o risco de esquecer depois. 
Nem sempre as perguntas devem se tratar de um assunto que necessariamente você desconheça. Agregar um novo ponto de vista sobre temas diversos é sempre interessante. Por isso, aproveite o momento e conheça melhor o profissional que está em contato direto e pergunte a sua opinião sobre o assunto “x” ou “y”.
Em se tratando de prática, na grande maioria dos workshops aprendemos sequencias coreográficas. Nesse momento procure racionalizar os movimentos que estão sendo utilizados, e principalmente, os motivos pelos quais foram utilizados e em quais momentos da musica foram utilizados. 
Procure saber: onde, e de que forma o profissional se inspirou para compor a coreografia? Como funciona o seu processo coreográfico? Quais suas fontes, suas referências de estudos e de que forma são utilizadas em sua dança? Tudo isso é muito mais importante do que simplesmente memorizar as sequências para depois nunca dançá-la (porque prefere dançar uma coreografia sua) ou usar alguns “passinhos” apenas porque lhe chamaram mais atenção superficialmente.
O aprimoramento técnico também é importante nesse momento. Observe as linhas corporais, o posicionamento dos pés, joelhos encaixe do quadril, postura, braços. Este é um momento de experimentar, errar para acertar. Então, não volte para a casa com dúvidas sobre tais bases, linhas e desenhos dos movimentos, evitando assim, treinar errado quando for praticar sozinha nos dias seguintes.
Por ultimo, esteja atenta às correções que você possa receber, faça todo seu esforço para corrigir prontamente e não se sinta diminuída ou envergonhada por isso. Muito pelo contrário, se sinta satisfeita por estar recebendo atenção ao olhar do profissional disposto a lhe ajudar.




Com carinho e muita paz
Triana Ballesta



Salve Jorge (novela da globo) e suas danças - Dança turca, do ventre e cigana

por Triana Ballesta em Curitiba 2012.


Estamos todos ansiosos para ver as danças que irão aparecer na Novela Salve Jorge!
Já vimos um pedacinho de Roman Dance (dança cigana turca) apresentada por Clara Sussekind, que está também fazendo a direção das cenas de dança.
Confira a linda cena:



Coloco aqui também um video lindo de um ótimo trabalho da Bailarina Miriam Peretz para nosso deleite. Essa dança   tem uma carga cultural muito grande e cada movimento tem seus significados. Estamos falando de uma expressão artística muito particular com suas determinações.




Em uma pequena matéria, Cléo Pires conta um pouco de sua personagem "Bianca" e da sua relação com as danças que serão apresentadas. Ela cita além das danças turcas a dança do ventre com 7 veus, wings (ela chama de serpentine dance).


Sobre a dança dos 7 véus é uma dança criada para o show, cinema, teatro mencionada desde seu início na montagem do clássico da literatura "salomé". Sendo uma dança sensual, misteriosa e manipuladora.
Pessoalmente sou uma apaixonada pelo tema e colecionadora de videos com a personagem Salomé. 

Assistam a seleção algumas belas versões:















Já  a serpentine dance, também conhecida como a dança com veú wings também foi criada como uma representação das asas da deusa egipcia Ísis. É algo muito recente entre as dançarinas do ventre, mas seu nome se deu em homenagem a bailarina 
Annabelle Serpentine.

Assista essa raridade :)



Veja aqui o véu de Ísis com Cláudia Cenci:




Espero ter ajudado a entender melhor sobre o que vem por aí! Motivos que nos levam a pesquisar e procurar saber sempre um pouco mais sobre assuntos artísticos e culturais sempre vão nos interessar!! Ainda mais se tratando da nossa querida Dança do Ventre e suas variações!!!

Bjs!!!


Dança do Ventre Fusão com samba por Triana Ballesta

por Triana Ballesta

Fui motivada pela Mostra Nour El Shams a apresentar uma Dança do Ventre Fusion.
As fusões na Dança do Ventre não são de hoje, uma vez que a própria dança do ventre é resultado se muitas influências de diversas culturas (indianas, ciganas, espanholas, africanas, tribais, etc...).
Já na era Gold Mohammed Abdul Wahab  fez uma visita ao Brasil e apaixonado pelos ritmos brasileiros incorporou algum em suas composições. Este grande nome da musica árabe fez o mesmo com ritmos diferentes do mundo inteiro e deu respaldo para gerações seguintes de artistas e músicos realizarem essa forma de intercâmbio cultural.
Entendemos por "fusão" 2 elementos, ou mais, se unem e se misturam de tal forma a se tornarem uma única coisa. Por isso, diante das possibilidades infinitas dos movimentos que a dança do ventre nos oferece, essa tendência vem se fortalecendo cada vez mais. No entanto, há que se dominar as linguagens a que se queira "fundir" para que não pareça fragmentos isolados de uma dança e outra, ou que a fusão se torne superficial não deixando claro as linguagens a serem trabalhadas a fundo.
O interessante, ao meu ver, é que em uma fusão estejam elementos das 2 ou mais linguagens nítidas o suficientes porém entrelaçadas o suficientes... é um jogo, uma brincadeira cultural, porém respeitosa.

Escolhi fundir a dança do ventre com o samba em uma das minhas musicas preferidas. "Assanhado" de Jacob do Bandolim é um prato cheio para qualquer dançarina do ventre que vibra ao som de cordas ágeis e cheias de energia.
Busquei inspiração na figura do Malandro brasileiro, charmoso, vaidoso, assanhado...

Está aí o resultado dessa primeira experimentação, devo me confessar que amei e quero mais! bjsss


Baladi - A dança do Cairo

Por Triana Ballesta


O que é uma dança baladi?




A dança baladi nada mais é do que a expressão em forma de musica e movimentos de um povo.
Quando usamos a expressão “baladi” estamos nos referindo a um termo referente à “terra natal”. Isso pode ser um país, uma região, uma cidade, um bairro, uma rua, enfim. É um termo muito amplo, porém, no Cairo, o termo é utilizado pela alta sociedade de forma pejorativa, se referindo ao “baladi” como caipiras, simplórios...
O motivo de “baladi” receber esse tipo de referência é o fato de se tratar de famílias que vieram de outras regiões interioranas do Egito e terem se instalado no Cairo a fim de melhorar suas vidas no comércio, produção, serviços, empregos, etc. São famílias que já se instalaram no Cairo a mais de 10 gerações e mesmo assim preservam com muito orgulho suas origens e sua cultura – relação direta com musica e dança. Portanto, estamos falando de pessoas simples, porém com valores sólidos ligados a sua identidade cultural.
Assim, falahis de várias regiões, saidis, e demais povos se encontraram numa mesma cidade, se tornaram vizinhos e começaram a compartilhar suas culturas, seus estilos de arte, musica, dança e assim nasceu a dança baladi!
O que é necessário saber?
A música baladi consiste numa improvisação musical e assim como a dança, ela não e coreografada. Por ser assim, dança APENAS 1 BAILARINA  por vez. Ou seja, não é uma dança feita para se dançar em grupo, nesse caso, a bailarina sola do início ao fim.
Toda a dança consiste em ser uma prolongação da própria música. Ou seja, a bailarina faz parte da formação instrumental da banda e seu papel é tornar a musica tridimensional aos espectadores. É a tradução de sons em movimentos da DANÇA EGIPCIA.
Uma moça baladi jamais vai usar uma roupa “sharqui” em publico, ela vai usar seu vestido “thoub” (galabeya), sua dança será o reflexo de sua feminilidade, graça, alegria e acima de tudo respeito as origens baladi de sua familia.
Como é uma musica baladi e como se dança?
Como nas demais danças egípcias, você deve dançar a musica de forma a ler com os movimentos do corpo cada nota musical. E a trama de uma música baladi se dá dessa forma:
AWWADY (se fala “AWEDY”):  Introdução da musica no taqsim. Ela acontece com o som de um único instrumento, pode ser um acordeon, oud, nay, ou até mesmo sax ou teclado.  Essa parte é semelhante ao “MAWWAL” (se fala “mawwel” – canto livre, não rítmico, dramático). A música se apresenta de maneira suave, desprenteciosa, nostálgico e sem o acompanhamento de ritmo algum ou um ritmo suave e lento como masmoud, wahda kebira.
Nesse momento a bailarina deve se mover conforme a música, acompanhando as notas mais longas com movimentos longos e movimentos, gestos suaves e postura respeitosa e aos poucos o ritmo maqsoum  começando a dar mais conforto aos olhos e ouvidos todos (músicos, bailarina e público) e se retoma a escala musical do inicio.
ME-ATTAA: Significa “quebrar em pequenos pedacinhos” da musica e do ritmo. Inicia-se um jogo de pergunta e resposta entre instrumentistas e percussionistas ou 2 instrumentistas ou 2 percussionistas, um a completar o outro em um jogo musical e a bailarina pode “se soltar” um pouco mais, e se mostrar mais feminina e autêntica.
O ritmo começa a acelerar e a personalidade da bailarina vai subindo à tona até o momento em que se inicia a 3 parte do baladi:
TET: Nessa parte os músicos retomam suas origens com som de folclore, interiorano, falahi (fazendeiros) . Os acentos estão em  2 e 4 e a bailarina começa a fazer o “básico egípcio”.

  4/4                       1   2   3            4                    |      1        2        3         4
                               tiit              toot                        Teet              Teit   

Por algum tempo permanece no TET ao som do mizmar até que retorna o ME-ATTAA breve para poder iniciar o ritmo Falahi (o falahi pode ser tocado no TET também). Nesse ponto pode-se usar a andada egípcia (andada com shimmie), pois eh típico falahi.
No final os músicos podem gentilmente voltarem ao caminho que percorreram até o Taqsim awwady e terminar ou acelerar até terminar em um solo de percussão.

Como traduzir a música?
A bailarina vai se movimentar conforme seus sentimentos, seu aprendizado físico e técnico que variam de pessoa para pessoa. Porém, sem jamais se esquecer de que faz parte de um grupo musical, seu trabalho é em conjunto com outros artistas a formar a obra final! Por isso cada gesto deve estar sendo movido pelo som que se ouve e imerso por sentimentos que ele desperta.
Esse conceito é chamado por E=E por Hossam Ramzy no qual o primeiro E significa “som” ou “musica” e o segundo E significa “movimento” e o símbolo de “=” deve ser entendido como igual em tamanho e intensidade. Ou seja, tamanho da nota musical curta ou longa e intensidade de som, quantos instrumentos estão a tocar e de que forma. A letra “E” pode ser substituída também por “M” (Musica e Movimento).
Concluímos que a bailarina nunca está fazendo um trabalho completamente solitário, uma vez que faz parte de um conjunto musical, por isso também não tem total liberdade de criação, assim como todos os outros músicos que devem tocar em harmonia uns com os outros.
Em musicas baladi encontramos instrumentos predominantes em sua composição, ou no taqsim, ou em todo o seu desenvolvimento. É importante reconhece-los, vivenciarmos e notarmos as diferenças entre um e outro para que possamos transmitir essas diferenças claramente e aguçarmos o nossa criatividade e sensações.  Alguns deles são:
NAY : Incluimos nay e kawala que fazem sons EXTREMAMENTE SUAVES, leves e fluidos e externos, com notas prolongadas ao mesmo tempo que a bailarina fará movimentos suaves e prolongados, como bambu ao vento nas margens do Nilo (material com que e feito o instrumento). Caso o som se fragmente o mesmo pode ser feito com shimmies delicados, apenas nesse caso.

Abaixo a Bailarina brasileira que hoje reside na Alemanha Karima Giz, na minha opinião uma das melhores tradutoras da nay que já vi.



Estou colocando outro vídeo da bailarina Mona El Said dançando um baladi, ela inicia no acordeon, porém, no meio do video ela traduz o som da nay, começando pelo ritmo e introduzindo aos poucos o som do instrumento que por sua vez é tocado com notas "quebradas" , vibrando. Obviamentem ela faz o mesmo vibra suavemente.






QANUM: As notas são agrupadas nos dando a sensação de vibração, portanto a bailarina pode representar esse som fazendo shimmies  fundindo com ondulatórios, lendo assim, a melodia que está sendo tocada. Nesse momento os braços podem permanecer na maioria das vezes próxima aos quadris dando ênfase aos pequenos tremidos que estarão sendo executados.

Abaixo uma performance magnifica da grande bailarina egipcia Lucy com a musica Lissa Faker (não se trata de uma musica baladi, mas coloco como referência de leitura da tradução do Qanum)


Não podia deixar de colocar a Soheir em toda sua fase madura demonstrando toda sua experiência e sabedoria ao traduzir esse Qanum




OUD: É importante diferenciar a leitura dos diferentes instrumentos de corda com shimmies de diferentes intensidades. O OUD, assim como o QANUM é um instrumento de notas agrupadas, mas seu som é diferente e pode lhe proporcionar diferentes sensações comparadas ao anterior. A bailarina pode fazer tremidos mais soltos a fazer parecer um som mais grave floreando com pequenas batidas e fundindo com movimentos sinuosos de quadril.

Abaixo a bailarina Munira Magharib dançando um clássico da musica egipcia, a musica Aziza de Mohamed Abdel Wahab. Ela dança com perfeição todos os solos de taqsim, e o primeiro é o Oud.





VIOLINO: O som pode varias do grave ao agudo, pode ser mais prolongado ou mais encurtado e sensual. É um instrumento com muitas possibilidades emotivas, variando do triste melancólico ao alegra e festivo. Podemos trabalhar a nossa agilidade corporal nos movimentos sinuosos com mais intensidade que o Nay e explorar intenções que podem partir do centro do corpo para fora (ex: quadris para os braços) ou de fora para o centro do corpo(braços para quadris).


Abaixo Serena Ramzy dando uma pequena amostra de violino que é o que eu mais gosto de -la traduzindo.


Agora a bailarina Aisha Almeé traduzindo um taqsim de violino divinamente!




ACORDEON: É um instrumento que abre muitas possibilidades sonoras e de movimentos, por consequência. Esse instrumento  foi incorporado a várias culturas no mundo todo, inclusive Egito (e Brasil) no folclore. Seu som é forte e assim como o violino pode ser alongado ou fracionado ou mais fracionado ainda. A bailarina pode manter os pés no chão por inteiro e dobrar os joelhos para que seu quadril trabalhe com tanta agilidade quanto a musica, responder as mudanças de tons e notas e se envolver por completo por suas vibrações.


Abaixo simplesmente Fifi Abdo dançando um baladi....covardia não é?!


Outro video (um dos meu preferidos), uma bailarina gold age Naima Akef. Traduzindo perfeitamente o acordeon, não apenas isso, ela ainda canta, interpreta, etc... 




*Indico a leitura do artigo “Zeinab” disponível em www.hossamramzy.com , no qual foi utilizado como principal referência para esse estudo.


Aqui, eu dançando um baladi ao som do sax ;) 


Apresentação em Curitiba - Memorial Largo da Ordem


Identificando uma boa Professora


Aqui está um ótimo texto que pode nos orientar sobre a escolha de sua professora de Dança do Ventre.

Escrito por Cristina Antoniadis. Apreciem!


Há um tempo publiquei um tópico sobre este tema no Orkut pois fiquei muito comovida com alguns depoimentos de algumas meninas que se frustraram, se prejudicaram fisicamente ou ficaram anos com uma professora para depois descobrir que não aprenderam muito.

Visando ajudar na escolha de um profissional de dança oriental para aulas, compartilho aqui no blog este artigo com algumas dicas as quais julgo importantes para a escolha de uma boa professora.

Em minha opinião o aluno deve se ater a alguns detalhes:


1)      Nem sempre uma excelente bailarina é boa professora, ensinar é um dom que exige paciência, boa vontade e prazer de quem está ensinando em fazê-lo. É preciso ter talento para ensinar, ter didática, querer se doar. Existem bailarinas que são excelentes profissionais no palco, mas em sala de aula nem tanto, portanto avalie se sua professora sabe ensinar, pois não adianta só saber dançar bem.

2)      Repare se ela te observa, se te corrige, melhora e orienta seus movimentos. Se ela ficar fazendo o movimento na frente da turma e nem olhar para você, pode esquecê-la. Professora que fica mais dançando e se exibindo na aula do que ensinando, não dá né!! É lindo de ver, mas não é o que você quer, você quer aprender!!

3)      Repare também se ela explica e orienta no seu corpo de onde vem o movimento, como ele acontece, ou seja, se ela “destrincha” o movimento para que você possa aprendê-lo e executá-lo de forma correta, e principalmente, observe se você fica com dor (não aquela dorzinha de músculo que trabalhou), principalmente na coluna e nos joelhos.

4)      A professora deve tratar os alunos de forma respeitosa e cordial. Não incentivar picuinhas, fofocas e competições de ego, não ridicularizar o aluno e nem exigir mais do que ele possa dar naquele momento. Deve ter sensibilidade para perceber o estado físico e emocional do aluno e principalmente ser ética não só com os alunos mas também com as outras profissionais do mercado. Não é educado nem elegante professor que fica falando mal de outras escolas ou professoras, o professor pode e deve manifestar suas opiniões mas jamais desrespeitar os demais.

5)      No meu ponto de vista, uma boa aula deve conter além da técnica, dos movimentos da dança e das questões conceituais, exercícios para aquecimento, alongamento e preparação muscular. Por vezes nossa mente entendeu o movimento mas o corpo não está preparado para executá-lo por falta de flexibilidade ou até mesmo tônus muscular.

6)      Aulas tem que ter roteiro, continuidade, cronograma, tem que ter sido preparada. Aula tem que ter começo, desenvolvimento e finalização.

7)      Ninguém é detentor total do saber, as professoras não sabem tudo, tente descobrir se ela continua estudando, quais são as suas fontes e como aprendeu a dança, bem como sua dedicação não só a dança mas no aprendizado geral da cultura oriental e do corpo humano que é nosso principal instrumento de trabalho.

8)      Uma boa professora deve permitir que você a questione, e caso ela não saiba, ela deve admitir que não sabe e prometer pesquisar para você. Tem professora que ao invés de admitir que desconhece determinado assunto, inventa qualquer coisa na sala de aula, fique atenta!

9)      Verifique se ela conhece os ritmos, os instrumentos árabes, os estilos de música, e se ela ensina tais questões. Tenho alunas que fizeram aulas durante anos com outras professoras e chegaram a mim sem saber o que era um derbak, isto não pode acontecer, observe os sons das músicas que ela coloca em sala de aula e questione sobre aqueles que você não souber ou achar diferente, o aprendizado das peculiaridades e características da música árabe é de extrema importância para uma dança bem executada pois na filosofia oriental música e dança são unos.

10)   Temas como véu, deslocamentos, bengala, snujs, espada, folclores devem fazer parte do cronograma das aulas regulares, é claro que cursos e workshops devem e podem ser feitos, e são bem vindos, mas estes temas devem ser trabalhados em aulas também.

11)   Não se deixe levar apenas pela localização e preço das aulas, se você quer mesmo aprender, procure a melhor profissional para você, nem que seja o dobro do preço e o local mais longe. Lembre-se que muitas vezes o barato sai caro, já dizia o velho ditado.


12)   Defina qual estilo combina mais com você, se você gosta de uma dança mais clássica, tradicional ou mais moderna, às vezes a professora é boa mas não é o estilo que mais te agrada, neste caso, mude.

13)   Gostaria de dizer também que nem sempre o que é bom para sua colega será bom para você também, geralmente as professoras e escolas permitem que você assista a uma aula para conhecer o trabalho, não tenha preguiça de fazer com pelo menos 3 professoras diferentes antes de escolher.

14)   E por último, acredito que uma professora de verdade não tem medo de compartilhar informações, não as omite. Um grande mestre nunca temerá que seu aluno o supere, para aquele que nasce com o dom de ensinar, ver o seu aluno desabrochar e transcender é um prazer  e emoção imensurável.
Espero com estas dicas poder ajudar àqueles que procuram um grande mestre!!

Bjsssssssssssssss



foto: Beatriz Ricco
professora Cristina Antoniadis


Cristina Antoniadis: Saiba mais sobre sua carreira, história e compromisso com as Danças Orientais! http://pandoradancas.blogspot.com.br/2012/03/identificando-uma-boa-professora_29.html